segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

DIADEMA

diadema

para Tikka Sobral

oh!
me diz
:
quando te entregas à solidão do desenho, o que vêem teus olhos furados? - que alturas tocam tuas mãos suntuosas: sete solidões, noites sem cabimento, duas meninas? que deuses amaldiçoas, como semeasses amor entre os homens? onde largas teus cosméticos, teus pássaros, teu motor, tua coroa de euforia e dor?

tua mão - assim como a minha, cava hiperpoezia

mas oh! – me diz
:
como cavar sem desinteirar o que sinto?

oh!
glória! glória!
glória no inferno a quem te fura os olhos! glória e morte aos que tentam costurá-los enquanto lambes tuas feridas! pois enfim enxergas – estás pronta, bela, triunfante!
sim!
tua sotaina se abre e se dilata contra os escombros da cidade infecta

apenas por isso - para esconjurar meu próprio Ser, recito teu nome: Tikka! Tikka! Tikka! então experimento o átomo do verso puro

deus algum ousa subir a montanha a que te retiras, nenhum verme, sequer O Chamado pode ser ouvido eu sei: agora um brilho duradouro te atinge por dentro, uma paixão sem nome mastigam o ar que respiras todo o resto – a bruma do Tempo, o pó da solidão, esta noite lírica, estrangulada de poezia - tudo celebra a essence absolue da Vida: diadema em que pulsas acima do Bem e do Mal que necessito

Dand M. Jan 08

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